Catanduva

Mulher que viveu com rim doado vira doadora de fígado e córneas

Pacientes da região dão lição de amor ao próximo: morador de Urupês ajuda pela segunda vez paciente na Itália e família de mulher que recebeu rim há dois anos autoriza doação de órgãos

Publicada em 29/11/19 às 10:00h - 502 visualizações

por Diário da Região


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Coleta de órgãos em Catanduva: fígado foi para Campinas e córneas para o Hospital de Base de Rio Preto  (Foto: Divulgação/Hospital Padre Albino)

"Ciclo sem Fim" é uma música do clássico desenho "O Rei Leão". Tem um trecho que diz que esse ciclo guiará dores e emoções pela fé e o amor até que cada um encontre seu caminho. Para alguns, esse caminho é de multiplicar a vida - em algumas ocasiões, em retribuição a outras pessoas que permitiram que se tivesse uma nova chance. Caso de uma mulher de 54 anos que teve morte cerebral diagnosticada nesta quarta-feira, 27, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e a família autorizar a doação de órgãos.

Seria mais uma história comum não fosse o fato de que, há dois anos, C.A.F., que era portadora de doença renal crônica e não teve o nome revelado pelo Hospital Padre Albino, onde estava internada, recebeu um transplante de rim. "A situação é muito difícil, mas sabemos que queria isso e ela ter sido salva devido à doação de um rim contribuiu para que tomássemos a decisão de doar seus órgãos", diz filha da paciente, que vivia em Santa Adélia.

Outra pessoa que está contribuindo com o ciclo da vida é o funcionário público João Paulo Nestor, de 40 anos, morador de Urupês. Pela segunda vez, ele ajudou um paciente da Itália, na Europa. Em fevereiro, realizou uma doação de medula óssea à mesma pessoa, porém a equipe médica constatou a necessidade de o paciente receber leucócitos, células brancas, de defesa do organismo.

"Possivelmente pode ter havido uma recorrência da doença. Se acha que a doença está voltando, joga um pouco de leucócitos para atacar as células da leucemia. Eles são os soldadinhos, às vezes para ganhar a guerra precisa de mais", explica João Victor Piccolo Feliciano, coordenador do serviço de transplante de medula do Hospital de Base.

João Nestor conta que em nenhum momento pensou em recusar a nova doação, que foi feita no Hospital das Clínicas, em São Paulo, na última terça-feira, 26. O material seguiria em seguida para a Itália. O procedimento foi simples, como uma doação de sangue. Diferentemente da doação de medula, não foi necessário tomar nenhum medicamento para estimular o organismo a liberar as células. O funcionário público passou por exames que comprovaram que estava com a saúde perfeita e ficou cerca de três horas ligado à máquina - o processo demora porque é preciso filtrar o sangue para captar somente os leucócitos.


Há um sistema de integração entre os países e os Estados em busca de doadores de medula. Quando é necessário, o país, no caso a Itália, envia formulários ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), administrado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em busca de doadores. O hematologista Feliciano explica que nem a equipe do hospital estrangeiro nem a do brasileiro têm contato - tudo é intermediado pelo Redome e coordenado com o tratamento do paciente.

O doador não sabe o que o paciente italiano tem, nem sua idade ou sexo. Feliciano esclarece que os principais motivos que levam ao transplante de medula (responsável por produzir as células brancas, as vermelhas e as plaquetas) são as leucemias, linfomas e falências medulares.

Segundo João Paulo, a sensação de ajudar alguém desta forma é inexplicável. "Se precisar de mim de novo estou disponível. Doo sangue com frequência, vou direto ao Hemocentro, no meu documento está que sou doador de órgãos", conta.

O funcionário público acredita que não deve haver nenhuma motivação para colaborar. "A gente tem que pensar sempre que o próximo necessita de uma ajuda, nem que seja o mínimo possível a gente tem que tentar. Minha saúde está boa, dos outros a gente não sabe", pondera.


Clique na imagem para ampliar  (Foto: Rerodução)

Doação de órgão

A moradora de Santa Adélia deu entrada no hospital em Catanduva em 25 de novembro, após sofrer um AVC hemorrágico. Foi possível coletar o fígado, que foi encaminhado para um hospital de Campinas, e as córneas, que foram para o Banco de Olhos do Hospital de Base de Rio Preto, onde podem permanecer por até 15 dias à espera de um receptor. O rim esquerdo que ela havia recebido chegou a ser captado e trazido ao HB, porém exames comprovaram que não poderia ser utilizado.

João Fernando Picollo, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), explica que como o rim da paciente era de um transplante, o órgão possuía aderências, impossibilitando uma nova doação. Segundo ele, poucos centros no Brasil fazem um segundo transplante do mesmo órgão, mas o procedimento já foi realizado na rede pública.

"Na região a gente nunca teve a oportunidade de conseguir fazer isso", afirma. "Tem que analisar o órgão e fazer exame de compatibilidade. Aquele rim ou qualquer órgão que está na pessoa que faleceu traz com ele células da primeira pessoa que doou e eu não tenho mais material da primeira pessoa. Então tenho que ir no banco de dados, ver qual era a imunologia dele, o que ele apresentava, aí vou fazer um teste virtual: ver o que o meu receptor tem e analisar com o primeiro doador", explica.




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