RIO PRETO

Racionamento já provoca mudanças de hábito.

Em racionamento, moradores de Rio Preto passam a armazenar água em baldes e na geladeira para utilização em caso de necessidade. Quem já economiza reclama dos gastões.

Publicada em 18/10/19 às 09:43h - 1391 visualizações

por Diário da Região


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Com medo de ficar sem água para atividades domésticas, Lafaiete Souza já está armazenando água em baldes, com água sanitária para evitar a dengue  (Foto: Guilherme Baffi )

O medo de ficar sem água por conta do racionamento levou moradores de Rio Preto a armazená-la e a reclamar dos gastões. Nesta quinta-feira, 17, primeiro dia do racionamento decretado pelo Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), a água já foi interrompida em alguns dos bairros atendidos pelos 11 sistemas afetados. Para amenizar essa crise do abastecimento, o Semae afirma que a cidade precisa economizar pelo menos 41,4 milhões de litros de água por dia.

Com medo de ficar sem água em casa, cada um faz de um jeito. No bairro Dom Lafayete, atendido pelo sistema Eldorado, a moradora Maria de Lourdes, 69 anos, contou que usou a água da máquina de lavar para limpar a casa e depois reservou um balde de água limpa. "Eu guardei porque não sabia o que ia acontecer."

Vizinho da aposentada, o pescador Lafaiete Vicente de Souza, 75 anos, mostrou o tambor no fundo do quintal com água armazenada. Ele afirmou que jogou água sanitária e tapou, para evitar o mosquito da dengue. "Eu deixei aqui para quando precisar. É uma água para usar na limpeza", disse. "Na geladeira, [para beber] tem cinco garrafas", disse.

Por outro lado, mesmo com a divulgação e pedidos de conscientização para não desperdiçar, o Diário encontrou uma série de residências com gasto de água que poderia ser evitado. Pessoas que usavam a chamada "vassoura d'água" para lavar varandas e calçadas. "Falta consciência", afirma o morador Luciano Silva, 43 anos.

De agosto para setembro, o consumo diário de água por habitante passou de uma média de 220 litros por habitantes (l/hab) para 270 l/hab. Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 16, para anúncio do racionamento, o superintendente do Semae informou que, pelas condições atuais, a autarquia tolera sem racionamento um consumo diário de até 180 l/hab.

Segundo a gerente de abastecimento, Jaqueline Reis, a "explosão" no gasto de água da cidade no mês passado somada à falta de condições do rio Preto em fornecer os 450 litros de água por segundo para a Estação de Tratamento de Água (ETA) - hoje fornece 250 l/s - fez com que o sistema chegasse ao limite.

De acordo com o Semae, o racionamento foi decretado para aproximadamente 175 bairros da cidade para evitar um colapso no sistema de bombas dos oito poços profundos do Aquífero Guarani e outros cerca de 350 do Aquífero Bauru. Os dois aquíferos complementam o fornecimento de água e abastecem 75% das torneiras.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução) Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Interrupções

Apesar do racionamento não ter iniciado de forma radical, moradores da cidade afirmaram que desde o fim de semana as torneiras secaram em alguns momentos. Luciano trabalha em um pet shop no Parque Estoril (do sistema do Urano) e relatou prejuízos por falta de água desde sábado. "Eu até dispensei clientes porque sem água a gente fica limitado."

No Ana Célia, abastecido também pelo sistema Eldorado, o morador Danilo Silva, 23 anos, disse que as interrupções começaram na quarta-feira passada. Segundo o rapaz, nesta quarta-feira a água também foi cortada. "Só foi chegar às 23h. Quando desliga, demora umas quatro horas para que a bomba do Eldorado consiga mandar água."

Com um irmão com deficiência em casa, ele afirma que sem água a dificuldade é grande. "A parte da higiene é a mais prejudicada. A gente tem que dar banho nele e sem água não tem o que fazer", relatou.

Sobre as interrupções, a gerente do Semae de abastecimento afirmou que foram resultados da revisão de equipamentos e registros necessários antes do racionamento e também de um aumento inesperado no consumo. "A gente entende que a população quis se precaver, reservou água para o dia seguinte", disse.

Segundo o Semae, para acabar com o racionamento, é necessário que ocorram chuvas de formas constantes. Segundo a previsão, deve chover em Rio Preto na próxima segunda-feira, 21.




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