Saúde

Infestação de pombos desafia a saúde pública.

Confortáveis no ambiente urbano, pombos se proliferam rapidamente e transmitem doenças que podem levar à morte. No ano passado, quatro pessoas morreram no HB infectadas pelo fungo criptococos

Publicada em 08/10/19 às 09:44h - 1090 visualizações

por Diário da Região


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 (Foto: Divulgação.)


Eles estão por todos os lados, especialmente em áreas com grande oferta de alimentos, além de árvores e marquises que servem como dormitório e abrigo para seus ninhos. Dóceis, os pombos acabam atraindo a simpatia das pessoas que, muitas vezes, facilitam o acesso a alimentos e, com isso, vão se reproduzindo de uma maneira desordenada, podendo se transformar em um perigo para a saúde da população.

Entre atendimentos ambulatoriais de urgência e internações, o Hospital de Base registrou, de 2016 até o primeiro semestre de 2019, 224 atendimentos relacionados à criptococose, popularmente conhecida como doença do pombo. Desse total, cinco pessoas morreram, quatro delas em 2018 e uma em 2017. Quatro mortes foram causadas por criptococose cerebral.

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"O criptococos é um fungo que se adapta muito bem às fezes dos pombos. Ele é um agente oportunista. Todos nós podemos entrar em contato com o criptococos e não ter problema nenhum, se o nosso sistema imunológico estiver bom. Mas indivíduos que tenham uma queda de imunidade, se entrarem em contato com o fungo, ele se multiplica e leva a infecções", explica o infectologista Irineu Maia, coordenador do serviço de infectologia do Hospital de Base.

O criptococos contamina os humanos por meio da aspiração. Quando a pessoa é portadora do vírus HIV, toma muito corticoide, está com um estresse físico enorme ou qualquer outro fator que faça cair sua imunidade, o fundo se multiplica rapidamente, podendo causar sérias complicações. "Ele [o fungo] adora o sistema nervoso central e pode levar a um quadro mais comum que é uma meningite de evolução subaguda crônica e, muitas vezes, pode matar. Ele também pode dar pneumonia, lesão na pele e em vários órgãos", completa o especialista.

O sintoma clássico mais comum é a dor de cabeça, que dura de uma semana a dez dias. Daí em diante, começam náuseas, vômitos, dores atrás dos olhos, tontura, distúrbios psiquiátricos com alteração de personalidade, sonolência, crise convulsiva. "Os sinais de acometimento do sistema nervoso são muito amplos e quase sempre acabam com uma dor de cabeça insuportável. Muitas vezes o indivíduo acha que é um quadro gripal, toma um analgésico e vai levando, e quando chega para nós, já está numa fase de evolução muito crônica", alerta Irineu.

Lei proíbe alimentação de pombos

A Lei Municipal 11.734/2015  de Rio Preto proíbe a alimentação de pombos domésticos (Columbia livia) nas vias públicas, passeios e praças da cidade, assim como em residências ou qualquer outro ambiente que venha a atrair aves da mesma espécie, exceto com autorização da vigilância sanitária ou outro órgão que tenha competência para tal.

Por outro lado, o artigo 29 da Lei Federal 9605/1998 proíbe os maus-tratos ou a matança desses animais - e de qualquer outro da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão. O descumprimento gera pena de detenção de seis meses a um ano, e multa.

Por isso, a Vigilância Ambiental, subordinada à Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto, presta esclarecimentos aos munícipes quanto ao manejo ambiental dessas aves, já que elas são protegidas por lei federal, e assim as intervenções restringem-se ao ambiente através da diminuição da oferta de abrigo e alimento.

O órgão defende que a melhor maneira de controlar a proliferação desses animais é educar as pessoas para que não os alimentem e não permitam que eles encontrem restos de alimentos e abrigo nas edificações.

Para tanto, é importante que a população embale adequadamente o lixo doméstico, não permita que os pombos utilizem as edificações para construir seus ninhos, instalando fios de nylon, e não deixe alimentos de cães e gatos expostos no quintal.

Já a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo cuida da limpeza de alguns espaços na cidade, de forma geral, não apenas para fezes de pombos. A lavagem de áreas públicas obedece um calendário específico.

Além destes locais, a Secretaria também lava equipamentos e pista do Lago II da Represa Municipal semanalmente, sendo necessário, duas a três vezes na semana onde há concentração de fezes de aves. 

Como remover fezes com segurança

O jeito correto de remover as fezes dos pombos com segurança, segundo a professora Margarete Teresa Gottardo de Almeida, chefe do Laboratório de Microbiologia da Famerp, é com o uso de produtos degermantes comerciais (hipoclorito) e quaternário de amônio, destinados à eliminação de microrganismos patogênicos presentes nas fezes das aves.

"Somente após a permanência destas fezes em contato com produto por duas horas é que podemos manipular e jogar no lixo. A utilização de máscaras durante o procedimentos de higiene e limpeza de áreas contaminadas também é recomendada", explica.

A especialista acrescenta que todos os animais têm um papel importante na cadeia de formação de um ecossistema em equilíbrio. "Em ambiente natural, os pombos se alimentam de insetos, grãos e sementes e, dessa forma, realizam o controle populacional dos insetos e a dispersão de algumas sementes que foram ingeridas, mantidas quentes e úmidas e eliminadas pelas fezes das aves em condições propícias para a germinação."

Porém, no ambiente urbano, esses animais se tornam um problema de saúde pública, já que são hospedeiros veiculadores de doenças infectocontagiosas, de modo direto ou indireto, segundo a bióloga e doutora em zootecnia Eliane Vicente.

"Somente o pombo doméstico apresenta características de crescimento exponencial típico de 'pragas urbanas'. Suas fezes, principal meio de proliferação de doenças e/ou focos de transmissores/vetores, podem contaminar desde aparelhos de ar condicionado, restaurantes, telhados, até reservatórios de água como chafarizes e caixas d'água", diz a bióloga.

A espécie Columba livia, o chamado pombo urbano ou doméstico, foi trazida para o Brasil com a chegada da Família Real Portuguesa no século XVI. Trata-se, portanto, de uma espécie introduzida. Sua proliferação é favorecida pelos padrões arquitetônicos atemporais, cujas fendas e saliências apropriam a construção de ninhos, locais de pouso diurno e abrigos noturnos.

(Colaborou Marcelo Schaffauser)




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